Coapima inicia formação de jovens lideranças indígenas do Maranhão
A Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (Coapima) deu início, no dia 1º de junho, à formação estratégica de lideranças indígenas Yàmo’om Pyrpex: Semeando o Futuro – Formação e Autonomia de Liderbgenas de diferentes povos e territórios do estado e segue até o dia 14 de junho, marcando a primeira de quatro etapas previstas ao longo do processo formativo.
Promovida pela Coapima, a formação integra as ações do Projeto Redes Indígenas da Amazônia, desenvolvido pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) em parceria com a The Nature Conservancy Brasil (TNC Brasil), com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Fundo Amazônia.
A formação é realizada com base na metodologia do Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI), que valoriza os conhecimentos tradicionais, a troca de experiências entre os povos indígenas e a construção coletiva do conhecimento, fortalecendo o protagonismo de jovens lideranças em seus territórios.

Uma formação enraizada na ancestralidade
O nome da formação foi escolhido a partir da importância simbólica da árvore sumaúma para os povos indígenas do Maranhão. Yàmo’om é a grafia utilizada pelo povo Guajajara da Terra Indígena Caru, enquanto Pyrpex corresponde à grafia do povo Gavião Pyhcopcatiji da Terra Indígena Governador.
Reconhecida por seu grande porte, raízes profundas e capacidade de dispersar sementes por longas distâncias, a sumaúma simboliza força, resistência e continuidade. Para os povos do tronco linguístico Jê que vivem no Maranhão, a Pyrpex também possui caráter sagrado, estando presente em rituais relacionados ao encerramento do luto e à passagem espiritual dos ancestrais.
Ao adotar esse nome, a formação busca representar o fortalecimento de novas lideranças indígenas comprometidas com a defesa dos territórios, dos direitos coletivos e da continuidade dos saberes ancestrais.
Movimento indígena, ancestralidade e protagonismo juvenil
Nesta primeira etapa, os participantes desenvolvem reflexões sobre a trajetória do movimento indígena no Maranhão por meio do módulo “Movimento Indígena no Maranhão: o meu ontem, o meu hoje e o meu amanhã”, conduzido pela professora e coordenadora-secretária da Coapima, Inai’ury Guajajara.
A programação aborda temas como a história dos povos indígenas do Maranhão, o surgimento e fortalecimento do movimento indígena, os direitos assegurados pela Constituição Federal, cultura, ancestralidade, identidade, juventude, liderança, proteção territorial e perspectivas para o futuro.
As atividades são desenvolvidas por meio de rodas de conversa, oficinas culturais, exibição de materiais audiovisuais, trabalhos em grupo, produção de materiais educativos e diálogos com lideranças indígenas, promovendo um espaço de aprendizagem coletiva e fortalecimento das identidades indígenas.
Para o coordenador-tesoureiro da Coapima, Fabrício Guajajara, a formação representa um importante espaço de fortalecimento das juventudes indígenas e de construção coletiva de soluções para os desafios enfrentados nos territórios.
“Está sendo um encontro bem produtivo. A gente está tratando sobre a nossa ancestralidade, quem somos nós, quais são as nossas lutas e ideias, além de construir estratégias para conseguirmos solucionar muitas das questões que existem dentro dos nossos territórios”, destacou.
Entre os participantes, o jovem comunicador do povo Krikati, Josué Pãm, ressaltou a importância dos debates sobre memória e ancestralidade para a construção do futuro das comunidades indígenas.
“O tema trabalhado foi ancestralidade e memória. Hoje aprendemos a valorizar a nossa ancestralidade e a nossa memória, porque no futuro vamos precisar delas”, afirmou.


Fortalecendo as lideranças do presente e do futuro
Ao longo das quatro etapas previstas, a formação pretende contribuir para o fortalecimento da identidade cultural, da participação política e da autonomia das juventudes indígenas, incentivando a atuação de novas lideranças comprometidas com a continuidade das lutas históricas dos povos indígenas do Maranhão.
A expectativa é que os participantes ampliem seus conhecimentos sobre o movimento indígena, fortaleçam os vínculos com seus territórios e comunidades e contribuam para a construção de caminhos que garantam a proteção dos direitos, dos saberes tradicionais e do Bem Viver dos povos indígenas.







