Coapima conclui primeira etapa da formação Yàmo’om Pyrpex com foco no fortalecimento de jovens lideranças indígenas
A Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (Coapima) concluiu, na última sexta-feira (12), a primeira etapa da formação estratégica de lideranças indígenas Yàmo’om Pyrpex: Semeando o Futuro – Formação e Autonomia de Lideranças Indígenas do Maranhão. Realizada em Carolina (MA), a atividade reuniu cerca de 30 jovens indígenas de diferentes povos e territórios do estado em uma imersão voltada ao fortalecimento da identidade, da participação política e da autonomia das juventudes indígenas.

Promovida pela Coapima, a formação integra as ações do Projeto Redes Indígenas da Amazônia, desenvolvido pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) Brasil, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Fundo Amazônia.
Baseada na metodologia do Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI), a iniciativa prevê quatro etapas formativas e busca preparar novas lideranças para atuar na defesa dos direitos dos povos indígenas, na proteção dos territórios e no fortalecimento das organizações indígenas.
Movimento indígena, direitos e participação política
O primeiro módulo da formação teve como tema “Movimento Indígena no Maranhão: o meu ontem, o meu hoje e o meu amanhã”, abordando a trajetória histórica dos povos indígenas no estado, a organização do movimento indígena, os direitos garantidos pela Constituição Federal e os desafios enfrentados atualmente pelos territórios e comunidades.
Segundo a coordenadora-secretária da Coapima e responsável pedagógica da formação, Inai’ury Guajajara, o módulo buscou aproximar os jovens das pautas que impactam diretamente os povos indígenas e fortalecer a compreensão sobre os processos políticos que influenciam a garantia de direitos.
“Nesse primeiro módulo trabalhamos o movimento indígena no Maranhão, o meu ontem, o meu hoje e o meu amanhã. Falamos sobre os nossos direitos indígenas, os nossos deveres, a Constituição Federal, o Marco Temporal e outras propostas que ameaçam os nossos direitos. Também discutimos a importância da participação política e de compreender quem está representando os povos indígenas nos espaços de decisão”, explicou.
Durante o encontro, os participantes realizaram atividades práticas, rodas de conversa, produções textuais, exercícios de audiovisual, dinâmicas e encenações sobre temas relacionados à luta dos povos indígenas. Uma das atividades propôs a simulação de um julgamento sobre o Marco Temporal, permitindo que os jovens refletissem sobre os impactos da medida para os territórios indígenas e compreendessem os desafios enfrentados na defesa dos direitos constitucionais.


Ancestralidade, território e juventude
Além dos debates sobre direitos e participação política, a programação também promoveu reflexões sobre ancestralidade, espiritualidade, cultura, juventude e o uso das tecnologias na comunicação indígena.
Ao longo da formação, os participantes compartilharam experiências dos territórios, discutiram formas de fortalecer a atuação das juventudes e refletiram sobre a importância da valorização dos conhecimentos tradicionais para a continuidade das lutas dos povos indígenas. As atividades incluíram ainda a elaboração de maquetes e trabalhos coletivos sobre os territórios indígenas do Maranhão, retratando aspectos históricos, culturais e ambientais das diferentes regiões do estado.
Os grupos apresentaram reflexões sobre os biomas Amazônia e Cerrado, os impactos ambientais que afetam os territórios indígenas e os desafios impostos por grandes empreendimentos e projetos que incidem sobre as comunidades.
“Falamos sobre a nossa história, sobre as lideranças que construíram o movimento indígena no Maranhão e sobre a importância de a juventude dar continuidade a esse trabalho dentro dos territórios. Precisamos nos fortalecer como juventude e como lideranças para levar esse conhecimento para as nossas bases e continuar defendendo os nossos direitos”, afirmou Inai’ury.
A formação Yàmo’om Pyrpex seguirá com novas etapas ao longo do projeto, ampliando o processo de formação e contribuindo para a construção de uma nova geração de lideranças indígenas comprometidas com a defesa dos territórios, dos direitos coletivos e do Bem Viver dos povos indígenas do Maranhão.








