Rosilene Guajajara: da aldeia à disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Maranhão.
A trajetória de Rosilene Guajajara de Sousa é marcada pela vivência no território, pela educação e pela atuação na defesa dos direitos dos povos indígenas. Mulher indígena do povo Guajajara, Rosilene nasceu em Bom Jardim, no Maranhão, e tem sua história profundamente ligada à Terra Indígena Caru, especialmente à Aldeia Maçaranduba.
Sua caminhada foi atravessada desde cedo por desafios familiares e sociais. Ainda criança, aos 10 anos, perdeu a mãe e precisou assumir responsabilidades dentro de casa, ajudando a cuidar dos irmãos. Aos 14 anos, tornou-se mãe. Mesmo diante dessas dificuldades, continuou sua trajetória de estudos e formação.
A educação passou a ocupar um lugar central em sua vida. Graduada em Ciência da Administração, Rosilene também construiu experiência na educação indígena e na atuação comunitária. Foi diretora de escola indígena, participou de organizações de sua comunidade e integrou iniciativas voltadas ao protagonismo das mulheres indígenas da Terra Indígena Caru.
Sua atuação também esteve relacionada à defesa do território e à proteção da floresta. Como liderança da TI Caru e integrante da organização comunitária da Aldeia Maçaranduba, participou de discussões e ações relacionadas aos desafios enfrentados pelas comunidades indígenas, incluindo os impactos das queimadas, do desmatamento e da presença de madeireiros e caçadores no território.
A experiência construída dentro da aldeia levou Rosilene a ocupar espaços institucionais. Em 2023, passou a integrar a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular do Maranhão (Sedihpop) como secretária adjunta dos Direitos dos Povos Indígenas. No cargo, atuou em pautas relacionadas à garantia de direitos, educação, saúde, segurança e proteção dos territórios indígenas.
A chegada a um espaço de governo também representou uma nova etapa de sua trajetória: levar para dentro da estrutura pública as demandas que conhecia a partir da experiência vivida no território. Em entrevista publicada pela Sedihpop, Rosilene destacou a importância de indígenas ocuparem espaços de decisão justamente por conhecerem de perto as necessidades e prioridades das comunidades.
Antes mesmo da atual disputa eleitoral, Rosilene já havia participado de eleições. Em 2012, concorreu ao cargo de vereadora em Alto Alegre do Pindaré, no Maranhão, pelo então PMDB, obtendo 43 votos e ficando como suplente.
Em 2026, sua trajetória chega novamente ao campo eleitoral. Rosilene Guajajara está registrada como candidata a deputada estadual pelo Maranhão, pelo Partido dos Trabalhadores (PT), com o número 13222. Seu registro de candidatura consta como deferido pela Justiça Eleitoral.
A candidatura reúne diferentes momentos de sua caminhada: a infância e a vida na Terra Indígena Caru, a formação pela educação, a atuação como professora e liderança comunitária, a participação em organizações indígenas e a experiência na gestão pública.
Agora, em 2026, Rosilene coloca essa trajetória à disposição de uma disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Maranhão. Sua candidatura também se insere em um contexto mais amplo de participação indígena nas eleições, marcado pela presença de lideranças dos povos originários em diferentes espaços da política institucional.
A história de Rosilene Guajajara, portanto, não começa nas eleições de 2026. A candidatura é mais um capítulo de uma caminhada construída ao longo de anos entre aldeia, educação, organização comunitária, defesa dos direitos indígenas e participação em espaços públicos de decisão.

TEXTO: KELLY BONE GUAJAJARA – COAPIMA
