Com delegação diversa, Maranhão inicia participação no Acampamento Terra Livre 2026
Teve início, nesta segunda-feira (06), a programação do Acampamento Terra Livre 2026, que neste ano traz como tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”. Considerado o maior encontro indígena do país, o ATL reúne povos de diferentes regiões para o fortalecimento da incidência política e construção coletiva de pautas nacionais.
A delegação do Maranhão conta com cerca de 500 participantes, representando os povos Krikati, Gavião, Kanela Memõrtumré, Kanela Apanjekra, Akroá-Gamella, Kariú-Kariri, Ka’apor, Awá e Guajajara. A comitiva participou do momento de abertura espiritual na tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, marcando o início das atividades.
Durante a mesa de abertura, o coordenador-geral da Coapima, Régis Guajajara, destacou a importância do ATL como espaço estratégico de articulação. “É uma alegria imensa, estamos aqui com uma média de 500 pessoas do Maranhão, e iremos juntos reforçar as demandas, as cobranças relacionadas a demarcação de terras indígenas. Para quem esta participando pela primeira vez, este é um momento importante de aprendizado, vocês irão ver que o movimento indígena é muito alem do que se vê”, pontuou.

Em seguida, a vice-coordenadora da Coapima, Arlete Peecyr Krikati, participou da roda de conversa “Terra demarcada é vida protegida: situação jurídica das terras indígenas da Amazônia brasileira — desintrusão, demarcação e gestão territorial”. Em sua fala, ressaltou os desafios enfrentados pelos territórios no Maranhão, que mesmo com a demarcação, ainda precisam de desintrusão, como a Terra Indígena Krikati, que tem o processo mais longo do estado, e os territórios dos povos Kanela-Memortumre e Kanela Apanjekra, que estão pressionados por fazendas.

Mosaico do Gurupi reforça estratégia de proteção territorial
No período da tarde, a programação seguiu com a mesa sobre o Mosaico do Gurupi, que reuniu representantes das Terras Indígenas Caru, Rio Pindaré, Awá e Alto Turiaçu, quatro das sete áreas que compõem um dos mais importantes mosaicos de proteção territorial com protagonismo indígena no Brasil.
O coordenador-tesoureiro da Coapima, Fabrício Guajajara, representando a Terra Indígena Rio Pindaré, destacou o papel do mosaico como estratégia coletiva de defesa dos territórios. “O mosaico tem contribuído bastante, desde que decidimos trabalhar de forma conjunta, então tem trazido resultados, os territórios tem avançado na proteção territorial, as terras indígenas Caru e Arariboia são referencia na proteção, e isso tem sido importante para inspirar e apoiar outras iniciativas nos territórios do mosaico. Nós esperamos que o Mosaico do Gurupi posa servir de modelo para outros estados e organizações, sobre a força do trabalho coletivo’, afirmou Fabrício.
A mesa evidenciou o Mosaico do Gurupi como uma experiência consolidada de articulação entre povos e territórios, fortalecendo ações de vigilância, monitoramento e proteção ambiental.



